Entrevista com Marcelo Nudel sobre NBR 15.575 - Ca2

Entrevista com Marcelo Nudel sobre NBR 15.575

Marcelo Nudel, sócio diretor da ca2

O nosso sócio diretor, Marcelo Nudel, concedeu uma entrevista para o portal Universidade Trisul.

Ele falou um pouco sobre a NBR 15.575  e a importância dessa norma nos principais quesitos de conforto ambiental, confira abaixo 😉

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1)      APRESENTAÇÃO:

Antes de falar e conhecer mais sobre as principais questões sobre a Norma de Desempenho, queremos conhecer mais quem é o Marcelo Nudel. Como foi o seu início de carreira e sua formação profissional, trajetória na arquitetura, como se deu o contato com a sustentabilidade, até chegar à Ca2.

Sou um arquiteto com um profundo viés técnico das engenharias.  Me formei em 2004 pela Universidade Mackenzie e desde meu último ano da faculdade já estudava sustentabilidade na construção e dediquei meu foco a me especializar na área.

Em 2006 iniciei minha pós-graduação em Sustainable Architectural Science na Universidade de Sydney, na Austrália. Nessa época, comecei a trabalhar na multinacional de engenharia Arup em Sydney atuando na concepção de edifícios sustentáveis.

Em 2012, retorno ao Brasil num pequeno grupo de brasileiros, espalhados pela Arup no mundo, para iniciar o escritório da empresa no país. Liderei a equipe de edificações sustentáveis até 2015 quando me desliguei e iniciei a Ca2 Consultores.

A Ca2 inicia com minhas áreas de expertise (sustentabilidade e conforto ambiental). Hoje já nos tornamos multidisciplinares. Somos atualmente um time de 22 profissionais entre arquitetos e engenheiros e, além de sustentabilidade e conforto ambiental, atuamos nas áreas de acústica e luminotécnica, cada área liderada por um profissional sênior especialista e experiente nas duas áreas.

2)      Primeiramente, o que é, em linhas gerais, a Norma de Desempenho NBR 15.575 e qual seu objetivo prático?

A Norma é um conjunto de indicadores de desempenho mínimo de habitabilidade, segurança e conforto de edificações residenciais. Seu objetivo é garantir a qualidade mais básica de produtos imobiliários residenciais, protegendo o consumidor.

3)      Explique um pouco sobre os principais quesitos de conforto ambiental que devem ser atendidos pela Norma NBR 15.575.

Quanto ao conforto ambiental, a Norma estabelece critérios mínimos para desempenho térmico, luz natural e acústica.

O desempenho acústico já era algo que parte do mercado se preocupava, talvez não de forma tão criteriosa e disseminada, mas já havia certa preocupação, até por conta da recorrência de reclamações de proprietários.

Mas o desempenho térmico e de luz natural vieram como novidades no mercado. Basicamente exigem que o projeto seja capaz de manter certas temperaturas máximas de verão (e em algumas zonas, também mínimas de inverno), assim como índices luminosos mínimos nos diversos ambientes. Isso deve ser comprovado em projeto através de simulações computacionais.

4)      De quem é a responsabilidade principal pelo atendimento dos critérios da Norma?

A própria Norma explicita a responsabilidade compartilhada, com base nos diversos papéis. Os projetistas são responsáveis por assegurar que seus projetos cumpram com a Norma. A incorporadora é responsável por implementar e exigir, pois é em última instância quem coloca o produto no mercado. A construtora é obrigada a executar o projeto de acordo com o previsto em projeto e de acordo com a Norma. É uma responsabilidade triplamente dividida e a importância do papel de um, não se sobrepõe ao dos outros.

5)      Passados já 7 anos de sua vigência, as empresas e profissionais já estão conscientizados de sua importância ou a seguem apenas como uma formalidade legal?

Você encontra um pouco de tudo. A maioria dos clientes da Ca2 já tem um grau de conscientização e incorporaram isso em suas práticas. Mas nossos clientes são alguns dos principais incorporadores do país, em sua maioria de São Paulo.

Mas existe uma fatia enorme do mercado de incorporação que cumpre com a Norma apenas por conta da exigência legal.

E existem os que simplesmente acreditam que a Norma não se aplica à eles, então a ignoram.

Mas a abrangência desse país é enorme, então não me surpreenderia se encontrássemos incorporadores que nem conhecem a Norma ainda. Tem de tudo.

6)      Na questão do conforto térmico e lumínico, quais as principais exigências técnicas e quais os desafios enfrentados para conformidade das edificações?

No desempenho térmico você deve comprovar através de simulações computacionais que a temperatura máxima interna dos ambientes não ultrapasse a máxima externa considerando um dia crítico de verão.

Em algumas regiões você deve comprovar também que os ambientes mantenham uma temperatura mínima durante o inverno.

Na luz natural você deve comprovar que o centro dos ambientes atinja um certo nível mínimo de iluminância (em Lux) para determinadas condições de céu, épocas do ano e horas do dia.

O principal desafio é que são duas situações que decorrem principalmente das decisões arquitetônicas de volumetria, orientação solar e distribuição da planta. O desafio está em ser capaz de fazer as simulações logo na concepção para podermos interferir nessas variáveis antes que o projeto avance e seja tarde.

Normalmente na etapa de estudo preliminar o empreendimento ainda não tem garantias de que “vai vingar”, então a contratação das simulações vem geralmente após a aprovação do projeto legal, em alguns casos já no projeto básico. Isso reduz as possibilidades de intervenção em caso de não conformidade.

7)      Sobre o desempenho acústico nas edificações residenciais atuais, como tem percebido seu papel tanto no atendimento da norma quanto no conforto dos usuários?

Meus clientes têm levado muito a sério os requisitos acústicos, até pelo risco que a não conformidade representa. Meu papel tem uma importância nesse processo principalmente quando apresento que a solução que deu certo em um projeto não necessariamente dará em outro.

São diversos os fatores que determinam essa diferença, a começar pelo entorno, mas passando pelos materiais construtivos, projeto estrutural (que contribui muito na propagação de ruído pelo prédio), área e volume dos espaços, entre outros.

8)      Na sua opinião, as novas tecnologias estão impondo uma nova visão do processo construtivo? Isso tende a impactar a qualidade dos espaços produzidos?

As novas tecnologias envolvem também processos construtivos, sem dúvida. Sistemas como o wood frame ou outros pré-fabricados já estão sendo utilizados no mercado de residenciais. O drywall ganhou também um espaço importante nos últimos anos.

A qualidade só tem a ganhar.

9)      Acredita que a NBR 15.575 tem tido, ou terá, impacto sobre a qualidade dos materiais e soluções construtivas?

Sem dúvida, fabricantes já estão correndo para demonstrar que seus produtos contribuem com o atendimento. Mas deveríamos ter avançado mais, principalmente no setor de blocos, ainda com pouca demonstração de desempenho.

10)  Por fim, quais as principais tendências da arquitetura e da construção no sentido de perseguir uma qualidade ambiental maior nas edificações?

Temos hoje as certificações de bem-estar WELL e Fitwel. O mercado já está adotando o Fitwel e a Ca2 é hoje uma das empresas líderes em consultoria para essa certificação.

E de maneira geral acredito que existe uma nata de incorporadores que quer fornecer produtos mais confortáveis e saudáveis genuinamente.

Além é claro das exigências ESG (Environmental, Social and Governance) que começa a ganhar força também no mercado imobiliário por exigência de investidores e fundos imobiliários.

 

Fonte: Universidade Trisul

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