Construtoras e indústria estão descobrindo os caminhos para atender à NBR 15575

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Um manual para mil leitores

Nem só projetistas e construtoras estão se empenhando para implementar a NBR 15375 em sua rotina.A indústria fornecedora também está trabalhando para atender às exigências em relação ao desempenho e à durabilidade de seus materiais, componentes e sistemas. Entre os trabalhos mais abrangentes está o do Sinduscon-RS em parceria com o ITT Performance, da Unisinos.

Depois de formar um grupo de estudo com construtoras e incorporadoras associadas, a Comissão de Materiais, Tecnolog ia, Qualidade e Produtividade (Comat/Sinduscon-RS) concentrou esforços para ajudar na qualificação da cadeia local, explica o engenheiro Roberto Sukster, integrante da comissão.Além de ensaios solicitados aos fabricantes, a iniciativa inclui encontros que alternam workshops teóricos e visitas a canteiros, para que os participantes troquem experiências e conheçam in loco as soluções adotadas.

“Ainda tem muita gente no início desse percurso, mas cada vez há mais empresas interessadas, se envolvendo e buscando informações”, diz Sulkster. Uma dessas empresas é a Pauluzzi, fabricante de blocos cerâmicos, localizada em Sapucaia do Sul (RS).

Ela participou de uma das reuniões com o objetivo de identificar quais de seus produtos os construtores queriam ensaios. O resultado está nos mais de 160 ensaios que deram origem ao manual técnico “Desempenho: Sistemas de alvenaria com blocos cerâmicos Pauluzzi”, desenvolvido com a ajuda da consultora Maria Angélica Coveio Silva.

De acordo com Juan Carlos Germano, diretor da empresa, a publicação apresenta os requisitos da norma e o desempenho de todas as linhas de produtos da Pauluzzi de acordo com a NBR 15.575 e pode ser usada como referência.

O evento para o lançamento do manual reuniu mais mil pessoas em PortoAlegre, número que dá a dimensão do quanto o mercado busca informações técnicas para se ajustar à norma. As ações dos fornecedores de produtos cerâmicos não se restringem à Pauluzzi. De acordo com Natel Moraes, presidente da Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer), o setor está focado nos ensaios de caracterização das amostras de blocos e telhas e o resultado deste trabalho logo será disponibilizado.

Desde a publicação da NBR 15.575, o setor de blocos de concreto também vem realizando diversos ensaios do Sistema de Vedação Vertical com alvenaria de blocos para conhecer, validar e apresentar aos projetistas e construtores os seus respectivos desempenhos.

Segundo o engenheiro Anderson Oliveira, do Sinaprocim/Sinprocim e gerente do PSQ de Blocos de Concreto, os resultados dos primeiros ensaios estão disponíveis desde 2014 no site da Bloco Brasil —Associação Brasileira da Indústria de Blocos e de Concreto. O setor de cimento também vem realizando, desde a publicação da norma, diversas ações de difusão e discussão da NBR 15.575.

Por meio do movimento Comunidade da Construção, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) promove oficinas e seminários em várias cidades brasileiras.

Manual Desempenho: Sistemas de alvenaria com blocos cerâmicos Pauluzzi apresenta o desempenho de todas as linhas de produtos da empresa em acordo com mais de 160 ensaios

Ensaio para avaliação de desempenho das alvenarias com blocos de concreto estanqueidade. O primeiro fruto desse trabalho é o empreendimento residencial Soberano, lançado em junho último, na Vila Mariana, zona Sul da capi-tal paulista. De acordo com a Tarjab, o edificio é o primeiro do Estado de São Paulo que comprova com ensaios e lau-dos o pleno atendimento a todos os cri-térios da NBR 15.575.

A adaptação à norma, prevê a Tarjab, deve elevar o custo dos empreendimentos a partir de 2%, conforme o padrão. Muitas das principais mudanças trazidas pela norma dizem respeito ao
projeto de arquitetura.

“Nem tudo é custo”, afirma Borges. O arquiteto Marcelo Nudel, professor de Sustentabilidade de Edificações na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e sócio-diretor da Ca2 Consultores Ambientais Associados, concorda.

“A NBR 15.575 não traz um alto nível de exigências técni-cas. não requer soluções onerosas e pode ser atendida com materiais tradi-cionais na grande maioria das vezes. A parede de alvenaria, com emboço e re-boco, variando apenas as espessuras conforme o posicionamento do prédio, o tamanho e o espaço, atende a exigên-cias de desempenho térmico em todo o Brasil”, exemplifica.

A corrida para o atendimento à norma envolve também empresas de arquitetura O escritório Aflalo/Gaspe-rini, que possui diversos edifícios residenciais no portfólio, buscou consultoria para treinar a equipe de projeto e especificação, a fim de garantir que os empreendimentos residenciais protocolados após julho de 2013 já atendessem às exigências da NBR 15.575.

“Como a Norma de Desempenho vale somente para projetos aprovados a partir de 2013, ainda não existe um volume razoável de obras que nos permita saber o quanto essas empresas já colocaram em prática”, comenta. O engenheiro Carlos Borges, presidente-executivo da construtora Tarjab e coordenador entre 2004 e 2008 da co-missão de estudos da ABNT que resultou na NBR 15.575, afirma que o objetivo da norma é estabelecer, de maneira clara, quais são os requisitos de desempenho, as critérios para seu atendimento e a forma de mensuração, facilitando e tomando menos subjetiva a verificação da qualidade da edificação habitacional.

“Isso dá ao consumidor a possibilidade de avaliar o comportamento do edifício e suas partes perante todas as condições de exposição a que está sujeito no uso e operação, incluindo a questão da vida útil e da qualidade no longo prazo”, afirma. Dessa forma, evita-se a concorrência desleal e o cliente passa a ter condições de comparar desempenho, e não apenas o preço. Segundo Borges, o mercado está saindo da inércia e começando um longo processo de aculturamento.

“A Caixa Econômica Federal poderia acelerar esse processo se exigisse auditoria em projetos, ensaios por amostragem e ava-liação pós-ocupação dos imóveis que financia”, exemplifica.
Deficiências na formação profissional também contribuem para a lentidão do processo. A NBR 15.575 remete a 232 outras normas técnicas, algumas delas internacionais. “A carreira acadêmica ainda está muito longe da realidade, está na hora de rever os programas de ensino.

Existem muitos projetistas que desconhecem as normas, com exceção dos engenheiros calculistas e de instalações, que já estão mais habituados a trabalhar dentro desses pará-metro s”, afirma.
Mão na massa A implementação da NBR 15.575 na Tarjab demandou treinamento das equipes e adaptação dos procedimentos de projeto, compras e execução da obra.

A empresa passou a exigir de seus fornecedores ensaios e laudos que agora fazem parte da documentação do projeto, investiu na realização de outros ensaios, como os de acústica ou de arrancamento de fachada, e treinou equipes próprias para realizar ensaios.

O arquiteto na mira

A formação dos arquitetos tem sido alvo de críticas por se concentrar mais na discussão teórica da arquitetura do que nas demandas do mercado.

Segundo o arquiteto Marcelo Nudel, professor de Sustentabil idade de Edificações na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e sócio-diretor da Cal Consultores Ambientais Associados, as
boas normas internacionais de eficiência energética, assim como a NBR 15.575, colocam a responsabilidade do conforto ambiental no projeto de arquitetura. O consultor explica que é comum no Brasil o arquiteto não assumir responsabilidades técnicas sobre o projeto e por isso vem perdendo espaço. “O arquiteto só vai mudar quando o contratante passar a pedir laudos para ter a garantia de que o projeto atende a todas as exigências”, afirma. Nudel sugere a avaliação dos níveis de desempenho térmico pelo método da simulação a partir de modelos computacionais.

“Se o resultado for igual ou melhor do que o obtido pelo método prescritivo, o projeto vai atender à norma.”

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