Richard Kelly e a Iluminação na Arquitetura Moderna - Ca2

Richard Kelly e a Iluminação na Arquitetura Moderna

Richard Kelly é considerado um grande pioneiro do Lighting Design. O arquiteto realizou projetos de iluminação de importantes obras da arquitetura modernista em seu tempo.

A faculdade de Yale, no ano de 2010 em comemoração e homenagem aos 100 anos de seu nascimento, reuniu seus principais projetos em uma exposição e no livro chamados :”A Estrutura da Luz. Richard Kelly e a iluminação da Arquitetura Moderna”. (NEUMANN, Dietrich; STERN, Robert A. M. Nova York: Yale University Press, 2010. 214 p).

Ele iluminou projetos icônicos como o Edifício Seagram em Nova York. Citamos essa obra no nosso artigo sobre brises, como precursora do movimento de Arquitetura Internacional ou Estilo Internacional, que influenciou arquitetos do mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Uma das suas obras mais significativas foi a Casa de Vidro em que trabalhou bem o conceito de continuidade na iluminação interna para a externa.

Casa de Vidro- Richard Kelly e a Iluminação na Arquitetura Moderna

Casa de Vidro à noite por Steve Brosnahan. Projeto Arquitetônico : Philip Johnson. Iluminação: Richard Kelly. New Canaan / Connecticut, EUA. www.theglasshouse.org. Imagem © Steve Brosnahan

Na época em que cursava arquitetura na Columbia University, frequentava espetáculos na Brodway com grande interesse pelo campo da iluminação cênica. A partir dessa paixão, Richard ingressou no grupo de teatro da faculdade para atuar como iluminador e diretor.

Richard traz importantes conceitos sobre teoria da iluminação que são respeitados e aplicados por lighting designers do mundo todo até nos dias atuais. Ele fala sobre 3 tipos distintos de iluminação em seu ensaio “Luz como parte integrante da arquitetura”. São eles: brilho focal, luminescência ambiente e jogo de brilhos. Segundo ele:

Luminescência ambiente é a luz ininterrupta de uma manhã de neve a céu aberto. É o reflexo do sol no mar em um pequeno barco, é a névoa do crepúsculo em um rio largo, onde terra, água e céu são indistinguíveis. É, em qualquer galeria de arte, as paredes iluminadas, teto translúcido, e piso branco. (…) A luz ambiente produz iluminação sem sombras. Ela minimiza forma e volume.”

Fonte: Erco

Brilho focal é o spot na fase moderna. É a luz em sua cadeira de leitura favorita. Ele é o eixo da luz do sol que aquece o final do vale. É a luz da vela no rosto e uma lanterna em uma escada… brilho focal chama a atenção, reúne diversas partes, vende mercadoria, separa o importante do insignificante, ajuda as pessoas a ver.”

Fonte: Erco

O jogo de brilhos é a Times Square à noite. É o salão de baile do século XVIII, com lustres de cristal e muitas chamas de velas. É a luz solar em uma fonte ou um riacho ondulante. O jogo de brilhos estimula os nervos ópticos e, assim, estimula o corpo e o espírito, acelera o apetite, desperta a curiosidade…”

Fonte: Erco

Ele atribuiu esses conceitos a partir de características da iluminação como : intensidade, brilho, difusão, luminosidade espectral, direção e movimento. Mais tarde, incluiu também a integração entre a iluminação natural e artificial.

Ele também tinha grande sensibilidade ao observar os efeitos da luz na natureza e trouxe isso incorporado aos conceitos de seus projetos.

Edifício Seagram - Richard Kelly e a Iluminação na Arquitetura Moderna

Edifício Seagram, Local: Nova Iorque , Projeto Arquitetônico : Mies van der Rohe with Philip Johnson, Iluminação: Richard Kelly

O Edifício Seagram foi considerado um dos edifícios mais bem iluminados já construídos pela revista The Architectural Forum.

“O lobby é dominado por iluminação vertical. As linhas de spots criam um tapete de boas-vindas de luz ao redor do edifício, dando a aparência de flutuar. Em contraste, os pisos dos escritórios superiores são iluminados com um teto luminoso no perímetro do edifício.  (Informações de Projeto: Archdaily

Lobby do Edifício Seagram Building, Location: Nova Iorque New York NY, Projeto Arquitetônico: Mies van der Rohe with Philip Johnson, Iluminação: Richard Kelly

Imagem: © Ezra Stoller/Esto

Kelly também desenvolveu importantes projetos de iluminação no Brasil. Ele foi contratado na década de 1960 pelo governo do Rio de Janeiro para iluminar os cartões postais do Estado: Pão de Açúcar, o Cristo Redentor e o Parque do Flamengo.

Parque do Flamengo -Richard Kelly e a Iluminação na Arquitetura Moderna

Parque do Flamengo, Local: Rio de Janeiro, Projeto arquitetônico: Affonso Eduardo Reidy, Paisagismo : Roberto Burle Marx. Fonte: Parque do Flamengo

Os conceitos desenvolvidos por Kelly foram pioneiros em sua época e influenciam os projetos de iluminação até nos dias atuais.

Segundo Robert Stern:

“Richard Kelly era um teórico da iluminação imensamente talentoso, criando imagens de tal poder icônico que se tornaram fundamentais para a nossa compreensão da arquitetura moderna.”

Fontes: Archdaily: Light Matters: Richard Kelly, um mestre anônimo por trás das maiores obras modernas. 

Artigo FAU USP – Richard Kelly: Pioneirismo na Iluminação da Arquitetura Moderna. Por Fernanda Brito Bandeira e Paulo Sergio Scarazzato ( Pós, Rev. Programa Pós-Grad. Arquit. Urban. FAUUSP. São Paulo, v. 25, n. 45, p. 170-172, jan-abr 2018)

Parque do Flamengo: http://www.parquedoflamengo.com.br/equipamentos/postes-de-iluminacao/

ERCO: https://www.erco.com/guide/basics/perception-orientated-lighting-design-2896/en/

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