Sustentabilidade na ponta do lápis

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O que é levado em consideração na hora de contabilizar os custos de uma certificação ambiental

Por Redação

Construir um prédio com premissas sustentáveis exige investimentos em diversas esferas.

Trata-se de um custo que deve entrar na soma para o orçamento, cujo aumento de valor tanto preocupa os empresários.

Embora o retorno sobre o valor investido seja assegurado pela economia na operação do edifício e pela valorização imobiliária, o fator custo ainda influencia na tomada de decisão de parte dos investidores na hora de optar por um empreendimento sustentável.

Mas, afinal, qual é o acréscimo no valor gasto para uma empresa que opta por construir um prédio sustentável?

Essa é uma pergunta difícil de responder de forma genérica, pois diversas escolhas influenciam no valor a ser gasto.

Contudo, é consenso dentre os profissionais do setor de que, quaisquer sejam as escolhas feitas, haverá custo a mais.

Investir em materiais específicos, equipamentos eficientes e tecnologias de ponta gera gastos, mas a combinação de aquisição de itens que se complementam pode trazer economia  na hora da compra.

Por exemplo: ao adquirir vidros de alta refletância, que diminuem o calor interno das edificações, o empreendimento pode optar pelo uso de um sistema de ar-condicionado mais simples, portanto, mais barato.

Conceber e levar um projeto sustentável adiante requer serviços específicos, como equipes de projetistas e arquitetos, gestores de obras e construtoras com conhecimento em projetos sustentáveis, além de prestadoras de serviços relacionados ao sistema de reúso de água, ao controle de efluentes e à cogeração de energia, por exemplo.

É sabido, porém, que, se o prédio for buscar uma certificação ambiental, a conta crescerá um pouco mais.

Mas, tudo depende do tipo de certificação, porte do empreendimento e quais critérios devem ser atendidos, segundo o desejo dos donos.

Para pleitear uma certificação, além do gasto com as taxas repassadas á instituição certificadora, alguns serviços são contratados para auxiliar no processo, como uma consultoria especializada em certificação e um agente comissionador.

Calcular os custos da certificação em porcentagem é uma tarefa bastante complexa, diante de tantos fatores que influenciam no valor gasto em um empreendimento.

Contudo, alguns números podem ser tomados como base.

O acréscimo aproximado para uma edificação que busca o nível mais simples de certificação e de 2%, de acordo com Hilton Rejman, diretor de desenvolvimento da Cyrela Commercial Properties (CCP).

Para o arquiteto Marcelo Nudel, consultor sênior e líder da equipe de sustentabilidade de edificações na Arup no Brasil, 0 custo pode ser de 4% a 6%, podendo chegar a 10% em determinadas regiões do País, considerando parâmetros do Selo LEED.

Outro fator que faz com que a porcentagem dos gastos a mais não seja exata é o porte do empreendimento.

Se ele for de menor porte, por exemplo, alguns custos podem impactar em maior proporção, como as taxas de certificação e de consultorias especializadas, além de elementos específicos de canteiro de obra, conforme explica o consultor da Arup.

A compra de produtos e equipamentos para os prédios que irão pleitear uma certificação também geram gastos a mais em comparação a prédios convencionais.

Em relação aos equipamentos, Hilton Rejman diz que eles devem atender às exigências técnicas para certificação, isso quer dizer que devem contemplar aspectos relacionados à economia de água, eficiência energética, seleção de materiais e recursos, qualidade ambiental em ambientes internos, etc.

A boa notícia é que o preço dos produtos e  equipamentos tende a diminuir nos próximos anos, pois a indústria nacional deve se adaptar a essas exigências, até mesmo para suprir a demanda.

Com isso, a compra desses itens deve, cada vez menos, impactar no custo de um prédio.

“Custos adicionais ainda são encontrados, não em função, necessariamente, da qualidade do produto ou do equipamento em si, mas da reduzida quantidade de fornecedores o que acaba limitando a escolha e elevando os custos.

Isso acontece, por exemplo, com sistemas de pisos certificados, madeira FSC e equipamentos de ar-condicionado de “altíssima eficiência” conta o arquiteto Marcelo.

Alternativas para reduzir os gastos

Uma das formas de economizar investimentos ao optar por certificar um empreendimento e tomar essa decisão logo no início do projeto, pois, se o projeto já tiver começado a ser colocado em prática e forem necessárias muitas adaptações no meio do processo, o acréscimo pode ser grande.

Marcelo Nudel explica que a busca por redução de custos inicia-se pelo foco na concepção arquitetônica:

O verdadeiro valor dos edifícios sustentáveis se descobre na etapa de conceituação de projeto, sendo os elementos tecnológicos importantes, porém secundários.

Para ele, esse é um entendimento que o mercado brasileiro ainda precisa aprender para conceber os projetos desta forma.

Apesar da necessidade de adaptações dos projetos às exigências das certificações para atingir a pontuação almejada, com o auxílio das consultorias é possível buscar alternativas para reduzir os custos iniciais.

O diretor da CCP conta que, nos projetos liderados pela empresa, são priorizados os créditos que beneficiam a qualidade e a operação da edificação e que evitam a utilização de equipamentos, como o uso de lâmpadas e luminárias econômicas, automação do acendimento das luminárias, redutores de vazão de água em sanitários e vestiários, reúso de água das Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs) para irrigação e, por fim ventilação e iluminação natural, tudo isso com o objetivo de atingir o nível de eficiência desejado.

Marcelo Nudel ressalta mais uma alternativa que é a adoção de uma orientação solar adequada.

“Quando o terreno permite, pode não incorrer custos adicionais e é possível aumentar o nível de eficiência energética, contribuindo para a certificação e trazendo beneficies tangíveis para a operação”.

Medidas adotadas durante as obras também podem ser as soluções para reduzir os gastos e, ao mesmo tempo, atender aos créditos da certificação.

“Dentre elas, está o gerenciamento de resíduos sólidos, no qual é necessário comprovar a reciclagem de uma porcentagem do resíduo gerado na obra.

Alternativas como a doação e venda de alguns resíduo para cooperativas auxiliam neste crédito, além de reduzir os custos de destinação”,  explica Cláudio Sayeg, diretor de projetos executivos da Brookfield Incorporações.

“O verdadeiro valor dos edifícios sustentáveis se descobre na etapa de conceituação de projeto, sendo os elementos tecnológicos importantes, porém secundários”

Investimento seguro

Vale ressaltar que muitas empresas já assumiram a postura de construir sustentavelmente em seus negócios, apesar do custo.

É o caso da Cyrela Commercial Properties (CCP).

“Faz parte da cultura da CCP da Prologis desenvolver em seus empreendimentos políticas sustentáveis visando o uso consciente de energia elétrica e água.”

Oferecendo e mantendo seus portfólios atualizados e com alto padrão de qualidade, conta Hilton Rejman, diretor de desenvolvimento da incorporadora.

Um fator que tranquiliza as empresas que têm investido na construção sustentável é a certeza de que o dinheiro aplicado será rapidamente recuperado.

“O aumento de custo para certificação green building é considerado no preço do comercialização do empreendimento.”

O público que procura esse tipo de empreendimento busca essa eficiência na operação pós construção e paga por ela, explica Cláudio Sayeg, diretor de projetos executivos da Brookfield Incorporações.

Para o diretor de desenvolvimento da OTEC, David Douek, a análise dos custos deve ser ainda mais ampla, sendo necessário considerar fatores como o retorno de investimento para definir se há ou não acréscimo de custo.” alerta.

É importante ressaltar que o custo a mais que a certificação traz ao investimento inicial de um empreendimento, além de ser pequeno, em relação ao valor total gasto, é recuperado nos primeiros anos de operação do edifício, devido à economia proporcionada ao proprietário e aos usuários da edificação.

Diante disso, e levando em conta a valorização imobiliária que o edifício terá, não faltam motivos para que as empresas superem a barreira do custo inicial a mais, em beneficio próprio e do futuro do empreendimento.

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